domingo, 3 de março de 2019

Homenagem aos ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira pelo Clube Filatélico Brusquense.

No último dia 21 de fevereiro, foi comemorado o aniversário de 74 anos da tomada de Monte Castello por efetivos da 1a. Divisão de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira - FEB

Ao avaliar a tomada de Monte Castello, o brasilianista Frank D. McCann (1993, p. 277) concluiu que:

"[...] sem dúvida nenhuma, muito foi feito em Monte Castelo pelos febianos e pelos militares brasileiros. Para eles, o engajamento bem-sucedido teve grande importância simbólica. Sua participação na conquista de Belvedere-Castelo convenceu os brasileiros de que eles estavam à altura da tarefa a que tinham se lançado [...]. O fato é que a FEB e a 10a. Divisão de Montanha dos Estados Unidos foram efetivas na operação conjunta que desalojou os alemães de elevações importantes, permitindo, assim, que a ofensiva de primavera fosse desencadeada. Se uma das divisões tivesse falhado, a ofensiva teria sido adiada".

Atualmente, é praticamente consenso entre os autores da literatura histórica sobre a FEB, que sua criação e envio ao T.O. italiano foram resultados de uma iniciativa brasileira.

"[...] a FEB foi uma ideia brasileira, que resultou de um plano deliberado do governo Vargas e não de uma manobra americana para envolver o Brasil diretamente em combate", explica McCann (1993, p. 270). Para Vagner Camilo Alves (2006), apesar da FEB ter envolvido instituições e pessoas de diversas procedências e países, foi Getúlio Vargas (1882-1954) quem "bateu o martelo" para sua criação.

Uma justa homenagem.

Em Santa Catarina, inúmeros cidadãos-soldados serviram na FEB e participaram de operações de guerra significativas, a exemplo da tomada de Monte Castello. A experiência militar brasileira na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), através da FEB, faz parte das memórias familiares e municipais no estado.

Em outubro de 2018, o Clube Filatélico Brusquense homenageou os ex-combatentes de Brusque e região, através da emissão de um belo selo postal personalizado. Trata-de de uma emissão de 1. Porte Nacional para Cartas Comerciais, ilustrada com o emblema da FEB, "cobra fumando", tendo ao fundo, um mapa do T.O. italiano, com destaque para as regiões de Monte Castello e Montese, cidade esta em que ocorreu o combate urbano que resultou no maior número de baixas entre os combatentes brasileiros.

A emissão foi acompanhada por uma belíssima folhinha filatélica produzida pelo Clube Filatélico Brusquense (figura 1) sobre a qual foi fixado um exemplar do selo postal personalizado, "amarrado" com um carimbo datador de 29 de outubro de 2018, da Agência Central de Brusque.

Figura 1: frente da folhinha comemorativa. Coleção Wilson de Oliveira Neto.

Já o verso da folhinha, figura 2, foi ilustrada com o emblema da "cobra fumando" sobre o qual foram listados dos ex-combatentes de Brusque e região, um total de 48 pessoas, muitas das quais descendentes de alemães e italianos, como sugerem os sobrenomes "Bianchessi", "Maestri", "Moritz" ou "Stoll", além dos brasileiros "Gonzaga" e "Oliveira".

Figura 2: verso da folhinha comemorativa. Coleção Wilson de Oliveira Neto.

Referências.

ALVES, Vagner Camilo. Armas e política: o Exército e a constituição da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Anais do 30. Encontro Anual da ANPOCS, Caxambu, 24-28 out., 2006, p. 1-21.
McCANN, Frank D. A Força Expedicionária Brasileira na Campanha da Itália (1944-1945). In: SILVEIRA, Joel; MIRTKE, Tássilo (orgs,). A luta dos pracinhas: a FEB 50 anos depois, uma visão crítica. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 1993.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Aniversário de 45 anos da invasão da Polônia.

A Campanha da Polônia (setembro - outubro de 1939) marcou o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) na Europa. A série que faz parte desta postagem foi emitida pelos correios da Polônia em comemoração ao aniversário de 45 anos da invasão alemã, iniciada em 1. de setembro de 1939. A série foi lançada no dia 1. de setembro de 1984, sendo formada por dois valores, 5 e 6 Zlotys.

A série recorda dois episódios e personagens da resistência polonesa contra o avanço alemão, o Coronel Stanislau Dabek (1892-1939), herói na retirada para Kopa Oksywska, em setembro de 1939, e o General Tadeusz Kutrzeba (1885-1947), responsável pelo planejamento e pela execução da contraofensiva ao longo do rio Bzura, desencadeada contra o 8. Exército alemão, em 9 de setembro, pegando-o de surpresa (ZALOGA, 2009). 

Sct., Polônia, 2639/40. Coleção Wilson de Oliveira Neto.

A contraofensiva do rio Bzura foi rechaçada pelos alemães. Em sua avaliação, Steven J. Zaloga (2009, p. 67-70) explicou que:

"O desenrolar da contra-ofensiva do Bzura faz ressaltar as duas principais carências do Exército polaco de 1939 comparado com a Wehrmacht. O primeiro era muito menos móvel que o alemão, que foi capaz de levar reforços importantes até ao sector, alguns desde lugares distantes, enquanto os polacos aguardavam desesperadamente que chegassem os restos do Exército de Pomorze. A infantaria polaca combateu bem quando esteve em paridade com o inimigo, mas os alemães, graças à sua maior mobilidade táctica, conservaram a sua superioridade numérica e de potência de fogo, A segunda carência notável dos polacos foram as suas antiquadas transmissões. Começada a contra-ofensiva, Kutrzeba apenas teve contacto com as forças polacas de fora do seu sector e foi incapaz de coordenar as suas operações com unidades próximas de Varsóvia. O Alto-Comando, em Brzesc, demonstrou estar pouco preparado para dirigir operações complexas numa localidade isolada".

Referência.

ZALOGA, Steven J. A invasão da Polónia: guerra-relâmpago. Barcelona; Oxford: RBA Coleccionables; Osprey Publishing, 2009.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Marinha polonesa durante a Segunda Guerra Mundial.

Neste ano, será comemorado o aniversário de oitenta anos do começo da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A invasão alemã à Polônia, iniciada durante a madrugada do dia 1. de setembro de 1939, assinalou o início desse conflito (BEEVOR, 2015).

Segundo narrou Steven Zaloga (2009), a campanha alemã foi desencadeada às quatro horas da madrugada, com um ataque do couraçado alemão Schleswig-Holstein contra a guarnição polonesa de Westerplatte, localizada próxima à cidade de Danzig, na Polônia.

As forças armadas polonesas não resistiram aos alemães, que colocaram em prática a doutrina militar da Guerra-relâmpago. Em 27 de setembro, a capital da Polônia, Varsóvia, se rendeu. Alguns dias depois, em 6 de outubro, a campanha polonesa foi encerrada com a rendição do General Franciszek Kleeberg (1888-1941), cujo grupamento tático representou a última grande unidade do exército polonês em combate (ZALOGA, 2009).

Contudo, ao longo da Segunda Guerra Mundial, os cidadãos poloneses contribuíram com o esforço de guerra aliado de diversas maneiras, através de guerrilheiros, de voluntários oriundos de diversos países, entre os quais o Brasil, e de remanescentes das forças armadas da Polônia, a exemplo do Exército de Anders. Na filatelia polonesa, a memória da Segunda Guerra Mundial está presente desde o final do conflito, em 1945.

Marinha polonesa durante a Segunda Guerra Mundial.

Série de selos postais comemorativos lançada em 25 de setembro de 1970. Ela é formada por três valores, 40 Grosz, 60 Grosz e 2,50 Zloty. Monocromáticos e retangulares, os selos desta série foram impressos em "talho-doce", comum aos selos europeus da época e que confere a eles alto-relevo e grande beleza.

Sct. 1760/62. Coleção Wilson de Oliveira Neto.

O primeiro valor, 40 GR, é ilustrado com o destróier "Piorun"; o segundo valor, 60 GR, com o submarino "Orzel". Já o último e mais alto valor, 2,50 ZL, também foi ilustrado com um destróier, denominado "Garland". No canto esquerdo de cada valor, o escudo da Batalha de Grunwald, travada em 15 de julho de 1410.

Referências.

BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015.
ZALOGA, Steven J. A invasão da Polónia: Guerra-relâmpago. Barcelona / Oxford: RBA Coleccionables S.A.; Osprey Publishing, 2009.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Niemals Vergessen!

As experiências do Nazismo e da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) marcaram profundamente a memória social de diversos países da Europa. Essas memórias, por sua vez, possuem diversos suportes, a exemplo dos selos postais [1].

A série que faz parte desta postagem (figura 1) foi lançada pelos correios da Áustria em 16 de setembro de 1946. No sistema de catalogação Scott, ela corresponde aos selos semi-postais B-171 / 178. "Semi-postal", pois tratam-se de selos sobretaxados (o catálogo Scott separa em uma categoria própria todos os selos que sofrem sobretaxação). O título dessa série é "Propaganda Antifascista" [2].

Figura 1: Propaganda Antifascista. Sct., Áustria, 1946, B-171/178. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (São Bento do Sul, SC).

Em 1938, a Áustria foi anexada à Alemanha, fato este conhecido como Anschluss. Na ocasião, os correios alemães emitiram cartões, marcas (carimbos e flâmulas) e selos postais. Como em outros países da Europa que sofreram a ocupação alemã ou foram incorporados à "Grande Alemanha", o repúdio ao Nazismo também envolveu a emissão de selos postais.

Notas:

[1] - A respeito das relações entre selos postais e memória, recomenda-se a leitura de: LE GOFF, Jacques. História e memória. 4. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1996 (Coleção Repertórios).
[2] - SCOTT. Standard postage stamp catalogue volume 1. Sidney: Scott Publishing Co., 2007, p. 661.

sábado, 10 de março de 2018

Museo Filatelico e Numismatico (Musei Vaticani)

Estado da Cidade do Vaticano é o nome oficial da sede da Igreja Católica Apostólica Romana. Trata-se, de uma cidade-estado soberana, fundada em 1929, através do Tratado de Latrão. O Vaticano, como também é conhecido, é um enclave murado localizado na cidade de Roma, capital da Itália.

Durante o começo de janeiro deste ano, minha família e eu visitamos o Vaticano. Um dos espaços que visitamos foi um conjunto de museus e lugares de memória denominado Museus Vaticanos (Musei Vaticani). A célebre Capela Sistina faz parte desse complexo.

Figura 1: saída do Museus Vaticano. Foto: Wilson de Oliveira Neto.

Museo Filatelico e Numismatico faz parte dos Musei Vaticani e foi inaugurado em 25 de setembro de 2007. Sua exposição é dividida em duas seções: "Filatélica" e "Numismática". A exposição filatélica narra a história postal da Santa Sé, dos Estados Pontifícios às mais recentes emissões postais do Vaticano.

Figura 2: Aspecto da parede da escadaria que dá acesso ao Museo Filatelico e Numismatico. Foto: Wilson de Oliveira Neto.

Já a exposição numismática compreende as emissões entre 1929 e 2001.

Figura 3: vista parcial da exposição do Museo Filatelico e Numismatico. Foto: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 4: uma caixa de coleta em exposição. Foto: Wilson de Oliveira Neto.

Ficou interessado? mais informações sobre o Museo Filatelico e Numismatico, assim como dos demais museus e lugares de memória no Vaticano poderão ser coletadas no linque a seguir: Musei Vaticani.



sábado, 24 de fevereiro de 2018

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), as operações de guerra psicológica da Inglaterra envolveram a impressão e a distribuição de inúmeros cartões postais de propaganda. Muitos deles foram impressos em português, assim como outros tipos de impressos, como por exemplo, brochuras. Todo esse material foi distribuído em países lusófonos, tais como Brasil e Portugal.

A impressão e a distribuição de propaganda de guerra na forma de cartões postais pela Inglaterra também ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918), informa José Pedro Mataloto [1]. De acordo com esse autor, foi no contexto da "Grande Guerra" que as operações de guerra psicológica se tornaram uma prática formal por parte dos países beligerantes [2].

O cartão postal que faz parte desta postagem mistura imagem e texto escrito. Uma fotomontagem em que um Sargento da Real Força Aérea é comparado com uma bomba de novecentos quilos que, segundo informa o próprio postal, representa as quatro mil bombas deste porte lançadas sobre objetivos industriais e militares na Alemanha, pelos bombardeiros da RAF (figura 1).

Figura 1: frente do cartão postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

A fotomontagem foi um recurso gráfico recorrente nas propagandas de guerra aliada e do eixo durante a Segunda Guerra Mundial. Aliás, ela foi usada em outros contextos históricos, como por exemplo, a Revolução Russa e o Stalinismo - ambos na antiga União Soviética. A divulgação de dados quantitativos também.

Contudo, esses dados devem ser considerados com cuidado, especialmente, quando levado em consideração o regime de informação em que eles foram produzidos e divulgados. A respeito da Inglaterra, Phillip Knightley adverte que, durante a Segunda Guerra Mundial, houve muita desconfiança acerca dos dados e dos informes oficiais ingleses [3]. De acordo com ele, "[...] toda declaração britânica, toda matéria divulgada pelo ministério, era automaticamente rotulada como propaganda" [4].

Algo absolutamente normal em um conflito que, em grande medida, foi uma guerra de informação e contrainformação.

Notas:

[1] - MATALOTO, José Pedro. Postais da Primeira Guerra Mundial: instrumentos de influência e de ação psicológica. In: VENTURA, António. Portugal na Grande Guerra: postais ilustrados. Lisboa: Edições Tinta-da-China, 2015, p. 18.
[2] - Ibidem, p. 17.
[3] - KNIGHTLEY, Phillip. A primeira vítima: o correspondente de guerra como herói, propagandista e fabricante de mitos, da Criméia ao Vietnã. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975, p. 289 (Coleção Convergência).
[4] - Ibidem, idem, p. 289.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Aniversário de 60 anos da Batalha de Stalingrado.

Existem na história da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945) campanhas militares e batalhas travadas que se tornaram "icônicas", sendo recorrentes suas evocações nas diversas formas de narrativas sobre o conflito. A Batalha de Stalingrado, travada entre a segunda metade de 1942 e 2 de fevereiro de 1943, é um exemplo dessas campanhas e batalhas icônicas da Segunda Guerra Mundial.

Em sua síntese sobre esse conflito, Antony Beevor narrou uma batalha dramática e medonha tanto para as forças armadas do Eixo quanto para o Exército Vermelho. Localizada na margem ocidental do rio Volga, hoje, a antiga cidade de Stalingrado, fundada em 1589, chama-se Volgogrado. Em 24 de novembro de 1942, Hitler ordenou que ela resistisse ao cerco soviético custe o que custar [1].

O bloco que faz parte desta postagem foi lançado pelos correios da Rússia em 4 de outubro de 2002 e celebra o aniversário de 60 anos da Batalha de Stalingrado. Ele faz parte de outras emissões alusivas ao aniversário de 60 anos do final de Segunda Guerra Mundial, comemorado em 2005. Um mapa serviu como pano de fundo, sobre o qual foi feita uma fotomontagem (figura 1).

Figura 1: Scott, Rússia, 6721. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Entre os elementos da fotomontagem, destaca-se a estátua "A Mãe Pátria Chama", localizada na colina de Mamayev Kurgan, no Centro de Volgogrado. Ela foi inaugurada em 1967 e também é conhecida como "A Pátria", segundo informa Richard Overy [2]. A estátua é colossal, com 85 m de altura e 7.900 toneladas. Na base de sua colina, uma escadaria com 200 degraus, alusivos aos duzentos dias que o cerco do Exército Vermelho em torno de Stalingrado durou [3].

Beevor estima em 1,1 milhão de baixas soviéticas em Stalingrado, enquanto que as forças armadas da Alemanha e seus aliados sofreram meio milhão, entre capturados e mortos. "Em  Moscou, os sinos do Kremlin repicaram com a vitória. Stalin foi saudado como o grande arquiteto da vitória histórica. A reputação da União Soviética cresceu em todo mundo e atraiu muitos recrutas para os movimentos de resistência liderados por comunistas" [4].

Notas:

[1] - BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015, p. 437.
[2] - OVERY, Richard. A contraofensiva aliada: os aliados avançam na África e na Rússia. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2014, p. 18 (Coleção Folha as Grandes Guerras Mundiais; v. 15).
[3] - Ibidem, idem, p. 18.
[4] - BEEVOR, Antony. op. cit., p. 450.