quinta-feira, 13 de novembro de 2014

De Eupen para Markt-Rettenbach.

A censura postal na Alemanha não terminou com o fim da Segunda Guerra Mundial no continente europeu, em maio de 1945. Até a década de 1950, as autoridades aliadas permitiram a prática da censura em correspondências dirigidas ou oriundas da Alemanha.

Descrição do documento.

Envelope circulado entre as cidades de Eupen (Bélgica, 21/06/1946) e Markt-Rettenbach (Alemanha - sem data de chegada registrada). Carta simples e com franquia dupla, Scott 365 e 366. Os valores faciais dos selos fixados sobre o envelope foram reduzidos em 10%, conforme comprovam as sobre-cargas "-10%". Isso significa que, na época em que o envelope circulou, o valor facial pago pelo remetente foi de 3,30 Francos (1,40 + 1,90). Ao entrar no território alemão, a carta foi interceptada, aberta e verificada pelo centro de censura postal da Zona Americana, localizado na cidade de Munique, como indicam os carimbos de censor (486) e de censura (A-25, Munich) e a fita de lacre. Ainda sobre o carimbo de censura, ele foi aplicado mecanicamente e foi usado pelo centro de censura postal de Munique durante a primeira metade de 1946.

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Nota.

O autor desta postagem gostaria de agradecer ao amigo e filatelista "Ulli"Schierz, do fórum "Selos do Brasil".

domingo, 2 de novembro de 2014

De Paris a Hamburgo.

O envelope desta postagem circulou durante um período bastante dramático da história francesa, uma época da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), em que o território da França esteve sob influência direta e indireta do governo alemão. Explico: após a rendição francesa aos alemães, em 22 de junho de 1940, a França sofreu a seguinte divisão: o litoral atlântico e o norte da França, incluindo a cidade de Paris, estavam sob ocupação militar alemã; a região da Alsácia-Lorena foi incorporada à Alemanha; o centro-sul francês permaneceu "livre", porém subordinado a um regime colaboracionista, que ficou conhecido como França ou República de Vichy, devido ao fato que a cidade de Vichy foi a sede do seu respectivo governo. Essa situação permaneceu até o ano de 1944, quando os alemães foram expulsos do território francês pelos Aliados, durante os meses finais da Segunda Guerra Mundial.

1. Descrição do documento.

Envelope circulado entre as cidades de Paris (França, 05/11/1941) e Hamburgo (Alemanha - sem data de chegada registrada). Carta simples, com franquia isolada de 2.50 Francos e obliteração mecânica com flâmula de propaganda. Correspondência interceptada e censurada em Colônia (Alemanha), conforme comprova a letra "C" impressa na fita com a qual o envelope foi lacrado após a verificação do seu conteúdo e no carimbo de censura vermelho também aplicado mecanicamente sobre o verso do envelope (figura 2), autenticando a operação de censura postal. Ainda sobre a censura sofrida, foram aplicados sobre a frente do envelope dois carimbos  numéricos - 23 e 31 - de censores, na cor roxo (figura 1).

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (ex-Pulsy).

Figura 2: verso do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (ex-Pulsy).


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

De Liubliana para Osterode am Harz.

Por que um bilhete postal italiano pré-selado foi usado em uma correspondência trocada entre a capital da Eslovênia, Liubliana, e a cidade alemã de Osterode am Harz? Esta foi a pergunta que fiz em pensamento quando vi pela primeira vez o bilhete postal que ilustra esta postagem. A resposta veio através do estudo sobre o contexto histórico em que ele circulou, o começo do ano de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial. A partir de 1941, o território da atual Eslovênia foi ocupado por tropas do Eixo, alemãs e italianas. Também outras regiões da Eslovênia foram anexadas à Croácia e à Hungria, que eram aliadas da Alemanha e da Itália. O sul da Eslovênia, onde está localizada sua capital, a cidade de Liubliana (Ljubljana em idioma local), foi ocupado por tropas italianas. Ou seja, na época em que o bilhete postal desta publicação foi enviado para a Alemanha, Liubliana estava sob ocupação militar italiana, residindo aí a razão provável para a validade postal de um bilhete pré-selado italiano circulado entre o que era parte da Iugoslávia e a Alemanha.

1. Descrição do documento.

Bilhete postal circulado entre as cidades de Liubliana (Eslovênia, 30/01/1943) e Osterode am Harz (Alemanha - sem data de chegada registrada). Correspondência simples, que sofreu dupla-censura, italiana e alemã, conforme comprovam os diversos carimbos de censura e de censor aplicados sobre a frente do bilhete. A censura postal italiana foi realizada, provavelmente, após o envio do bilhete, talvez ainda em Liubliana, que naquele momento, janeiro de 1943, estava sob ocupação militar italiana. Já a censura postal alemã, é certo que foi feita em Viena (Áustria), pois lá funcionou um centro de censura postal destinada à verificação de correspondências oriundas da Hungria, dos Bálcãs e da Turquia.

Figura 1: frente do envelope, sobre a qual foram aplicados diversos carimbos alemães e italianos de censura e de censor. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do envelope, em que é possível ler a mensagem datilografada por um certo Karel Golob, endereçada ao senhor Ernst Hinrichs. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Do Rio de Janeiro para Pratteln.

O envelope desta postagem é um item de história postal importante por duas razões: a) foi transportado por um Boeing 314 - Clipper; b) ao longo da sua viagem entre o Brasil e a Suíça, seu conteúdo foi checado por três serviços distintos de censura postal, ou seja, sofreu tripla censura. Também pudera, em fevereiro de 1944 (mês e ano em que o envelope foi despachado), o mundo ainda estava em guerra e o Brasil, desde agosto de 1942, encontrava-se em guerra contra a Alemanha e a Itália, portanto, todo o cuidado era pouco.

1. Os Clipperes da Panam.

O Boeing 314 - Clipper é considerado o mais luxuoso veículo de transporte aéreo já produzido. Ele foi um hidroavião fabricado entre 1938 e 1941, com um total de doze unidades produzidas para a empresa de transporte aéreo Panam. Junto com o transporte de passageiros, os Clipperes também transportavam malas postais, em um típico serviço de correio aéreo, como por exemplo, o NC 18603, o "Yankee Clipper", que iniciou o serviço transatlântico de correios. Esta aeronave operou entre 1939 e 1943, quando sofreu um acidente em Lisboa, Portugal. Os Clipperes se tornaram obsoletos após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945. A aviação comercial, a partir do pós-guerra, produziu aeronaves mais eficientes e seguras, além de entrar na "era do jato".

2. Descrição do documento.

Envelope circulado entre as cidades do Rio de Janeiro (Brasil, 29/02/1944) e Pratteln (Suíça, sem data de chegada registrada). Carta simples, transportada pelo correio aéreo, o "Clipper Service" oferecido pela empresa aérea Panam, com trânsitos (?) previstos em Natal (Brasil), Bolama (Guiné-Bissau), Lisboa (Portugal) e Genebra (Suíça). Correspondência interceptada e verificada por três serviços de censura postal - Brasil, Estados Unidos e Alemanha - durante sua viagem à Suíça, conforme comprovam as marcas postais aplicadas sobre o envelope e as fitas para lacre usados pelos censores que manusearam o envelope. Ainda sobre as censuras postais que às quais a carta foi submetida, a primeira interceptação ocorreu já no Rio de Janeiro, provavelmente, após da entrada do envelope nos Correios. É o que comprovam os carimbos de censor (D.F. / 16) e de censura (D.F. / ?. MAR. 44) aplicados sobre o envelope. Em seguida, em algum ponto da Europa, a carta foi aberta e, novamente, checada por um censor, desta vez norte-americano (número 64292). Por último, ainda na Europa, antes da correspondência chegar à Suíça, ela foi retida pelo serviço de censura postal alemã e levada para o centro de censura localizado na cidade de Paris (França), onde foi, de novo, aberta e chegada. Sabemos que a verificação do conteúdo ocorreu na capital francesa, pois tanto no carimbo de censura quanto na fita de lacre há a letra "X" que corresponde ao centro de censura localizado em Paris.

Figura 1: frente do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (ex-Soffer).

Figura 2: verso do envelope. Coleção: Wilson de Oliveira Neto (ex-Soffer).


terça-feira, 14 de outubro de 2014

De Zurique para Londres.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), a  Suíça foi um país neutro. Contudo, isso não significa que seus cidadãos estiveram completamente isentos dos efeitos do conflito. É, pelo menos, o que sugere o bilhete postal publicado neste postagem, circulado entre as cidade de Zurique (Suíça) e Londres (Inglaterra), em 1943.

1. Descrição do documento.

Bilhete postal (postkarte) circulado entre as cidades de Zurique (Suíça, 17/05/1943) e Londres (Inglaterra, sem data de chegada registrada). Correspondência simples, transportada pelo serviço de correio aéreo, conforme comprovam o selo postal aéreo e a etiqueta azul fixados sobre o bilhete postal. Correspondência interceptada, durante seu trânsito para a Inglaterra, pelo serviço de censura postal alemão, como indica o carimbo de censura vermelho (ou rosa) aplicado sobre a frente do bilhete postal. A letra "b" presente no carimbo informa que o bilhete postal teve seu conteúdo checado pelo centro de censura postal situado na cidade Berlim (Alemanha), destinado para correspondências em trânsito pelo território alemão. Ao entrar na Inglaterra, o bilhete postal foi novamente interceptado, porém, pelo serviço de censura postal inglês, segundo mostra o carimbo retangular azul ("coroa", passed, p. 86) aplicado ao lado esquerdo do selo postal e do carimbo datador/obliterador. Tal como na Alemanha, o conteúdo do bilhete postal foi lido e liberado pelo censor "P.86" para seguir viagem até seu destino, a cidade de Londres. Finalizando, uma questão intrigante: tanto na frente quanto no verso do bilhete postal é possível ver longas manchas azuis retas, como se fossem feitas através do uso de pincéis e de forma intencional. Suspeitamos que essas manchas sejam o resultado da aplicação de desinfetante sobre o bilhete postal, prática comum em correspondências circulada por áreas de quarentena ou assoladas por epidemias. Contudo, até o momento nossos estudos não obtiveram resultados conclusivos para a confirmação ou refutação desta suspeita.

Figura 1: frente do bilhete postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do bilhete postal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.


sábado, 27 de setembro de 2014

De São Paulo a Flensburg.

O envelope desta postagem faz parte de um conjunto de envelopes circulados alemães que recebi recentemente do amigo e filatelista franco-brasileiro Michel Marques (Mitch). Portanto, antes de qualquer imagem ou descrição publicadas, gostaria de agradecer o Mitch pelos envelopes enviados que contribuem significativamente para os meus estudos filatélicos.

1. Descrição e imagem.

Envelope circulado entre as cidades de São Paulo (Brasil, 19/06/194?) e Flensburg (Alemanha, sem data de chegada registrada). Carta simples, transportada pelo serviço de correio aéreo, conforme comprova o carimbo datador/obliterador aplicado sobre os selos postais fixados sobre o envelope (da esquerda para a direita, em sentido horário: 400+1200+1200+1200+1200). Ao chegar à Europa, o envelope foi interceptado, aberto e verificado pelo serviço de censura postal militar alemã. O local em que ocorreu a censura postal é um centro de verificação de correspondências situado na cidade de Munique (Alemanha). Esses fatos são comprovados pelos carimbos de censura e de censor aplicados sobre o envelope (frente e verso), bem como a fita usada para lacrar o envelope após o estudo do seu conteúdo.

Figura1: frente do envelope. Sobre sua base foram aplicados dois carimbos de censores ("2119" e "33"). No canto superior esquerdo, abaixo do selo postal regular de 400 Réis, há uma falha na continuidade do carimbo datador/obliterador aplicado. Provavelmente, isso se deve ao fato que, ali havia outro selo postal regular fixado. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso do envelope. É possível ver sobre o verso do envelope a fita usada no lacre do envelope após a verificação do seu conteúdo, bem como os carimbos de censura usados na finalizando do processo de censura postal. A letra "d" impressa abaixo da águia sobre a suástica (fita) indica o local onde o envelope foi aberto e checado: Munique, Alemanha. Trata-se de um fato estranho, pois o centro destinado para as correspondências aéreas oriundas da América do Sul estava localizado em Berlim. O que teria causado tal mudança de local? Possivelmente, ao chegar à Europa, este envelope deve ter transitado por Portugal, mais precisamente, Lisboa, tal como outros exemplos de correspondências circuladas na época. Em Munique funcionou um centro de censura postal destinado à verificação de cartas oriundas da Espanha, Itália, Suíça e de Portugal. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

2. Centros de censura postal militar alemã na Europa, durante a SGM.



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Primeiro Congresso Nacional dos Veteranos de Guerra do Brasil.

A Força Expedicionária Brasileira foi criada em 1943. Ela foi a única força terrestre latino-americana própria a lutar contra o Eixo, no teatro de operações europeu, durante a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945). Foram 239 dias de participação brasileira na Campanha da Itália, entre 6 de setembro de 1944 e 2 de maio de 1945. Na Itália, os pracinhas lutaram contra combatentes alemães e italianos.

Alguns anos após o fim da Segunda Guerra Mundial e do retorno dos pracinhas ao Brasil, foi realizado o Primeiro Congresso Nacional dos Veteranos de Guerra do Brasil, na cidade de Curitiba (PR), entre os dias 15 e 19 de novembro de 1953. O evento foi prestigiado com a presença do então Marechal Mascarenhas de Morais (1883 - 1968), ex-comandante da FEB, entre 1943 e 1945. Entre outros fatos, destacam-se as teses aprovadas durante o congresso, voltadas ao amparo e à reintegração social dos veteranos brasileiros [1].

O Primeiro Congresso Nacional dos Veteranos de Guerra do Brasil também foi marcado pelo lançamento de um carimbo comemorativo e pela emissão de uma folhinha filatélica, cujas imagens ilustram esta postagem.

Figura 1: folhinha filatélica alusiva ao Primeiro Congresso Nacional dos Veteranos de Guerra do Brasil, realizado em Curitiba (PR), entre os dias 15 e 19 de novembro de 1953. Peça filatélica composta pelo suporte em papel-cartão (folhinha), um selo postal comemorativo (RHM C-309), obliterado em 16/11/1953, e um carimbo comemorativo em que é possível ver o distintivo da FEB em frente a uma árvore de araucária. Coleção: Wilson de Oliveira Neto.

Figura 2: verso da mesma folhinha, em que são possíveis visualizar os seguintes itens: número da folhinha (0622), valor de venda (15 Cruzeiros) e a assinatura do General Jayme Santos, na época presidente da Legião Paranaense do Expedicionário.

Nota:

[1] - As informações acerca dos encaminhamentos do Primeiro Congresso Nacional dos Veteranos de Guerra do Brasil foram fornecidas pelo Prof. Dr. Dennison de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná. Meus mais sinceros agradecimentos ao amigo e grande mestre sobre a história da FEB.